Google My Business em Cabo Verde: como tornar o seu negócio mais fácil de encontrar

Google My Business em Cabo Verde

Rita Marques

Uma pessoa chega à Praia, pega no telemóvel e procura um restaurante perto de si. Noutra ilha, alguém precisa de um canalizador e não sabe a quem ligar. Em São Vicente, um visitante quer encontrar uma loja de artesanato antes de regressar ao hotel. Nenhum destes clientes começa necessariamente por perguntar a um amigo. Pode começar pelo Google.

É aqui que entra o Google My Business, o nome pelo qual muita gente ainda conhece o serviço. Hoje chama-se Google Business Profile, ou Perfil de Empresa no Google, e permite que um negócio apareça na Pesquisa Google e no Google Maps com informação sobre a sua atividade, localização, horários e contactos.

Para um restaurante, uma oficina, uma loja de roupa ou um profissional independente em Cabo Verde, a ferramenta pode ser uma forma simples de ganhar visibilidade. Não custa dinheiro criar o perfil. Mas há uma diferença entre estar no Google e ter uma presença que realmente ajuda alguém a escolher o seu negócio.

O cliente procura. O negócio aparece?

O Google não é a única forma de encontrar uma empresa. Em Cabo Verde, as recomendações pessoais, as redes sociais e o contacto direto continuam a ter o seu lugar. Mas a pesquisa online já faz parte dos hábitos de uma parcela significativa da população.

O relatório Digital 2026 da DataReportal estima que Cabo Verde tinha 388 mil utilizadores de Internet em outubro de 2025, o equivalente a 73,5% da população. É um número que ajuda a perceber a dimensão do mercado digital, embora não diga quantas dessas pessoas procuram negócios locais no Google, nem quantos clientes uma empresa poderá conquistar com um perfil.

Também não significa que todos os negócios devam apostar da mesma maneira na Internet. Um restaurante que recebe sobretudo clientes da sua zona tem necessidades diferentes de uma empresa que presta serviços em várias ilhas. Uma loja pode querer mostrar os produtos. Um profissional que trabalha ao domicílio precisa de explicar onde se desloca.

O Perfil de Empresa no Google permite apresentar parte dessa informação. O cliente pode consultar o horário, ver fotografias, obter indicações, ligar ou visitar o website, quando existe. Em alguns casos, também pode encontrar opções de contacto por mensagem ou WhatsApp, dependendo das funcionalidades disponíveis para o perfil.

O que parece básico é, muitas vezes, o que falta. Um número que já não funciona. Um horário que não foi alterado depois de uma mudança. Uma morada que aparece mal localizada no mapa. Para quem procura o negócio, são pequenos obstáculos. Para quem o gere, podem ser oportunidades perdidas.

Criar o perfil é simples. A verificação pode exigir mais atenção.

Antes de abrir uma nova ficha, vale a pena procurar o nome da empresa no Google Maps. O perfil pode já existir, criado a partir de informação pública ou por outra pessoa. Se estiver lá, o proprietário pode pedir para o gerir. Se não existir, pode criar um novo através do serviço oficial do Google.

O processo começa em business.google.com/add. É necessário indicar os dados do negócio e seguir as instruções apresentadas. Depois, o Google pede uma forma de verificação. Esta pode variar conforme o tipo de atividade, a região e a informação disponível. Não é possível escolher livremente qualquer método, nem garantir que a verificação seja imediata.

Há uma questão que merece atenção, sobretudo para quem presta serviços sem uma loja aberta ao público. Nem todas as empresas são elegíveis. O Google exige que o negócio tenha contacto presencial com os clientes, seja num estabelecimento ou deslocando-se até eles. Uma empresa que funciona exclusivamente online, sem receber clientes nem prestar serviços presencialmente, não pode criar um perfil apenas para aparecer nos resultados.

Depois da verificação, começa o trabalho que costuma ficar esquecido: preencher os dados com cuidado e mantê-los atualizados.

O nome deve ser o nome real da empresa, não uma sequência de palavras-chave pensada para aparecer melhor nas pesquisas. A categoria deve corresponder à atividade principal. O telefone precisa de estar ativo. O horário deve refletir o funcionamento real. As fotografias devem mostrar o espaço, os produtos ou o trabalho que o cliente vai encontrar.

Se o negócio não recebe clientes numa morada fixa, mas se desloca até eles, a área de serviço deve ser configurada de acordo com as regras do Google. Um canalizador que trabalha em diferentes localidades pode indicar a área onde presta serviços. Isso não significa, porém, que deva criar uma ficha por ilha ou por cada localidade onde se desloca. A plataforma prevê um perfil para a atividade e uma área de serviço adequada à operação.

No caso de Cabo Verde, convém pensar bem nesta informação. Uma empresa que trabalha na Praia não deve sugerir que está disponível em São Vicente se não tiver capacidade para prestar o serviço nessa ilha. A presença digital também é uma promessa ao cliente.

As avaliações podem ajudar. Também podem induzir em erro.

Um potencial cliente encontra o negócio, vê algumas fotografias e consulta as avaliações. É um comportamento comum em pesquisas locais. Para a empresa, os comentários podem dar pistas sobre o que está a funcionar e sobre os problemas que se repetem.

Mas uma classificação de cinco estrelas não conta a história toda. Uma avaliação pode ser genuína, pode refletir uma experiência isolada ou pode ser falsa. O leitor deve olhar para o conteúdo dos comentários, não apenas para a média.

O Google proíbe avaliações compradas, incentivadas ou publicadas por pessoas que não tiveram uma experiência real com o negócio. Também não permite que uma empresa ofereça descontos ou produtos em troca de comentários, nem que peça apenas avaliações positivas. As violações podem levar à remoção das opiniões e a restrições no perfil.

Pedir a um cliente satisfeito que partilhe a sua experiência é diferente de comprar uma avaliação. A primeira prática pode ajudar a recolher opiniões reais. A segunda tenta fabricar uma reputação.

E o que fazer quando aparece uma crítica negativa? Primeiro, perceber se há um problema concreto. Depois, responder sem transformar a caixa de comentários numa discussão. Se a reclamação tiver fundamento, reconhecer o erro pode ser mais útil do que tentar ganhar a última palavra. Se for falsa, pode ser reportada ao Google, embora a remoção não seja automática.

Uma fonte não é uma verdade, é uma pista. E as avaliações, tal como as recomendações de boca em boca, devem ser lidas com algum cuidado.

Um perfil no Google não substitui um website

Há negócios para os quais o Perfil de Empresa pode ser suficiente como primeiro passo. Um pequeno estabelecimento que precisa de mostrar onde está, quando abre e como pode ser contactado talvez não necessite, de imediato, de um website complexo.

Mas há outros casos em que a ficha fica curta. Uma empresa de serviços pode precisar de explicar melhor o que faz e em que condições. Um alojamento pode querer apresentar quartos e disponibilidades. Uma loja pode precisar de um catálogo. Um operador turístico pode querer receber pedidos de reserva e pagamentos.

É aí que um website próprio ganha valor. Não serve apenas para ter uma morada na Internet. Pode reunir informação detalhada, permitir pedidos de orçamento, apresentar preços e condições, receber reservas e encaminhar o cliente para um contacto direto.

A diferença também está no controlo. O Perfil de Empresa vive dentro de uma plataforma privada. As regras e funcionalidades podem mudar, e o negócio não controla inteiramente a forma como aparece. Um website com domínio próprio dá à empresa um espaço que pode organizar de acordo com as suas necessidades, embora também exija manutenção e investimento.

Não se trata de escolher entre Google e website. Em muitos casos, os dois trabalham melhor em conjunto. O cliente encontra a empresa no Maps, consulta a informação básica e segue para o website quando precisa de saber mais.

O que falta confirmar antes de falar em resultados

É tentador dizer que um perfil no Google vai trazer mais clientes. Pode acontecer. Mas, sem dados de um negócio concreto, não é possível afirmar quanto, nem garantir que a criação de uma ficha resulte num aumento de chamadas, visitas ou vendas.

A própria presença digital em Cabo Verde tem limites. A avaliação da UNESCO sobre o desenvolvimento da Internet no país, publicada em 2024, baseou-se numa investigação realizada entre agosto e outubro de 2022. O estudo apontou que 38,1% da população não utilizava a Internet, segundo os indicadores então analisados. É um dado com um período de referência diferente do relatório Digital 2026 da DataReportal e não deve ser apresentado como uma medição atual. Ainda assim, lembra que a transformação digital não chega a todos da mesma forma.

Também não sabemos, a partir destes dados nacionais, quantos restaurantes, lojas ou profissionais cabo-verdianos já têm um perfil atualizado, nem quantos conseguem transformar essa presença em negócio. Para responder a isso, seriam necessários dados locais e exemplos verificáveis.

O que se pode dizer é mais simples: se alguém procura uma empresa no Google, a informação que encontra deve estar correta. Se o negócio tem um perfil, convém que o proprietário o controle. Se recebe avaliações, deve acompanhá-las. E se a atividade exige mais informação do que uma ficha consegue apresentar, talvez esteja na altura de pensar num website.

O Google My Business em Cabo Verde pode ajudar um negócio a ser encontrado. Não resolve, por si só, a comunicação, a reputação ou a qualidade do serviço. Mas pode evitar que um cliente interessado desista porque não encontrou o telefone, não percebeu o horário ou não conseguiu localizar a empresa.

Às vezes, a primeira oportunidade de conquistar um cliente não está numa campanha. Está numa informação que alguém procurou e não encontrou.

O perfil é gratuito. Mantê-lo correto é trabalho do negócio.

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